Krazy Kat foi um título de uma tira diária criada por George Herriman e publicada nos jornais norte-americanos entre 1913 e 1944. Sua primeira aparição se deu no New York Journal American de William Randolph Hearst, tendo no próprio Hearst seu principal incentivador durante todo o período em que ela esteve em circulação. No Brasil os quadrinhos com o personagem apareceram na revista O Tico Tico, quando foi chamado de "Gato Maluco" (a revista O Tico Tico, lançada pelo jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva, foi a primeira a publicar histórias em quadrinhos no Brasil, cuja primeira edição saiu no dia 11 de outubro de 1905, uma quarta-feira, e não em uma quinta como dizia a capa original).
Ambientada num cenário irreal da casa de férias de Herriman no condado de Coconino, Arizona, a mistura de surrealismo, brincadeiras inocentes e a linguagem poética de Krazy Kat fizeram dela a favorita dos amantes de quadrinhos e dos críticos de arte por mais de oitenta anos. O enfoque das tiras está em um curioso triângulo amoroso entre o seu personagem-título, um despreocupado e inocente gato de género indeterminado (referido tanto como macho, quanto como fêmea); o antagonista do gato, o rato Ignatz; e o protetor cão policial, o oficial Bull Pupp. Krazy nutre um amor não correspondido pelo rato, mas Ignatz despreza Krazy e constantemente planeja atirar um tijolo à cabeça de Krazy, o que ele (ela) interpreta como um sinal de afeto. O oficial Pupp, como defensor da lei e da ordem no condado de Coconino, toma como sua firme missão interferir nos planos de lançamento de tijolos de Ignatz e tranca o rato na cadeia do condado. Apesar da simplicidade da comédia apresentada, foi a caracterização detalhada, combinada com a criatividade visual e verbal de Herriman, que fizeram de Krazy Kat um dos primeiros quadrinhos a ser amplamente elogiado por intelectuais e tratado como uma arte séria. Gilbert Seldes, um notável crítico de arte da época, escreveu um longo panegírico para as tiras em 1924, chamando-lhe "a mais engraçada e fantástica e satisfatória obra de arte produzida na América hoje".O famoso poeta E. E. Cummings, como outro admirador de Herriman, escreveu a introdução à primeira edição das histórias em quadrinhos na forma de livro. Embora apenas com um modesto sucesso durante sua circulação inicial, nos anos mais recentes muitos cartunistas modernos têm citado Krazy Kat como uma grande influência.
Adaptações animadas
As histórias em quadrinhos foram animadas por diversas vezes, e os curtas mais antigos de Krazy Kat foram produzidos por William Randolph Hearst em 1916, produzidos no estúdio da Hearst-Vitagraph News Pictorial e mais tarde no International Film Service (IFS), embora Herriman não estivesse envolvido. Em 1920, após uma pausa de dois anos, o estúdio John R. Bray começou a produzir uma série de curtas de Krazy Kat.
O Rembrandt Films (*) de Gene Deitch em Praga, Checoslováquia (atual República Checa) produziu os cartoons Krazy Kat de 1962 a 1964, ajudando a apresentar o gato de Herriman para a nova geração do pós-guerra. Os curtas foram feitos para a televisão e têm uma ligação mais próxima com as histórias em quadrinhos: os cenários de fundo são desenhados no mesmo estilo, e Ignatz e o oficial Pupp estão presentes. Porém, esta encarnação de Krazy foi feita como explicitamente fêmea. Penny Phillips dublou Krazy enquanto que Paul Frees emprestou a voz para Ignatz e Offisa Pupp, na apresentação original do desenho (você já deve ter notado e ouvido nos créditos iniciais que a tradução e dublagem aqui no Brasil ficou por conta da ótima AIC São Paulo, onde o desenho recebeu o título de "A Gatinha Manhosa"). A animação de Jerky e o mau sincronismo das vozes são comuns nesses curtas de Krazy Kat (apenas no original...), onde Jay Livingston e Ray Evans fizeram as músicas para a maioria dos episódios.
(*) William Snyder criou a companhia Rembrandt Films, onde o animador Gene Deitch dirigiu dois de seus filmes e cartoons originários de estúdios americanos tais como MGM (Tom & Jerry) e King Features (Popeye). From Wikipedia. Tradução/adaptação livre: Vitor Pinheiro.